sábado, 27 de março de 2010

Essa coisa cafona

Sobre todas as coisas, sobre tantas coisas da vida, sobre o amargo, sobre o doce, sobre as chegadas e as despedidas. Tanta sede de tudo, tanta vontade de ser, de ter, de ir além, de viver, ser tudo e ao mesmo tempo nada. Falo, escrevo, apago, me contenho, me desfaço num ato impensado, ouço o que me agrada, e ainda mais o que me desagrada. Passo de um ouvido para o outro, ergo a cabeça, gargalho do orgulho e sigo com os meus passos descompassados, apressados, ou tão largados às vezes que quase pára.
Um descanso, uma água, uma rede pra deitar, uns olhos pra amar, um corpo pra sentir, Deus pra unir e a vida irônica pra separar. De qualquer maneira, uma paixão fuleira deixa marcas, e se separa, como todo caso mal resolvido, um dia há de voltar.
E eu quem diria, tão cheia dessas besteiras, novamente to aqui e a espero voltar. Sentada na beira da estrada, acenando o polegar, por uma carona nesse ônibus cafona que todo mundo quer pegar. Não importa se tiver que ir de pé, ou sentado, apertado lá no fundo, no calor, abafado, na chuva, o vidro embaçado, todo mundo quer e ponto.
Eu, sem ser diferente, me deparo com essa mediocridade, uma puta sacanagem, sou igual. Não quero perder a viagem, quero a passagem só de ida, não quero ter que voltar. Quero o meu conto de fadas, um felizes para sempre, uma mentirinha boba. Enlouqueço, admito, quero, peço, rogo, amor, amor e mais nada.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Ao abrir a porta...


Suprida a carência,
Ela levanta-se,
Veste-se,
Olha-se no espelho,
Lava o rosto,
Amarra os cabelos,
Olha pra cama.
Lá está ele:
Estendido,
Dormente.
Ela pega a bolsa,
Abre a porta,
Olha novamente.
Foi muita loucura!
Tanto sentimento
Trocado pela superficialidade
De um momento.
Ela pensa,
Surpresa.
Ao abrir a porta,
Tudo será nada.
A presença dele
Será dura ausência,
Por mais que ela não queira,
Por mais que ela finja
Que foi só um momento de carência.

(Priscilla Diogo)

domingo, 23 de agosto de 2009

Montanha-russa

Tenho medo de montanha-russa,
Me agarro nas travas do carrinho,
Não posso me soltar,
Tenho medo da subida,
Tenho medo da descida,
Das curvas e da trepidação.

Já andei de montanha-russa.
Algumas poucas vezes.
Lembro ainda da sensação:
O cabelo ao vento,
As mãos soltas,
O grito saindo pela garganta,
O coração desritmado,
O quanto era bom!

Mas é o depois que me incomoda,
É o depois que me dá medo,
A dor no estômago,
A falta de ar,
O corpo tremendo,
A vontade de chorar...

Aperto o cinto de segurança,
E ainda me sinto insegura.
Sinto o medo em cada centímetro do meu corpo,
Escorrendo no suor da minha mão,
Aumentando o fluxo sanguíneo,
Aumentando o ritmo da respiração,
Deixando quente as têmporas.

Mas ainda assim,
Quero sentir a emoção,
Quero o lado bom,
Quero esquecer o depois,
As consequências ruins.

Olho para o lado,
E te vejo.
Meu olhar: súplica.
Me ajude a superar esse medo,
Sente do meu lado,
Segure minha mão.
Teu olhar: dúvida.
Suas palavras poucas e incertas,
Cheias de não sei e talvez...

Meu medo aumenta,
Estou sozinha mais uma vez,
Presa ao carrinho,
Chorando a minha solidão,
Indiferente à paisagem,
Às pessoas de passagem,
À qualquer possibilidade
De nova emoção...

(Priscilla Diogo)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sutilmente...

Me aparece assim,
Me puxa pela mão,
Sutilmente,
Tira os meus pés do chão,
Me tira do controle da situação,
Me coloca em ponto de ebulição...
Sutilmente,
Se evaporam as minhas dúvidas!
Te encaro lúcida,
Tudo é nítido,
Tudo é preciso,
Eu te preciso!
Sutilmente,
Te sentir
Em cada centímetro
Da minha pele
Que saudosa
Te implora
Em arrepios,
Quente e frio,
O desejo,
O gozo,
A transbordar como um rio!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

...

Tua presença,
Ainda que distante,
É capaz de ultrapassar limites,
Me transportar para longe daqui,
Desafiar barreiras físicas,
Além dos limites da sensação humana,
De tudo aquilo que é visível e pálpavel...
Talvez tenha um quê de fantasia
Mas eu preciso te dizer:
Quando eu fecho os meus olhos
É incrível o sentimento que me toma!
É como estar ao teu lado de fato!
Nós dois em um cenário imaginário...
E eu posso ver cada detalhe!
Eu sinto toda emoção!
A pele que arrepia,
O suor na palma da minha mão,
O coração que dispara,
Olhares que se cruzam,
A boca pede um beijo,
Linguas se confundem,
Corpos unidos... se fundem!
É um sonho lindo,
Imerso na fantasia
De quem delira
Por um desejo...
Que bem que poderia
Ser uma realidade
Em nossos dias...

sábado, 13 de junho de 2009

...

A lembrança daquele rosto
Na minha memória
Já é uma imagem distorcida
Tento remontá-la
De alguma maneira
Qualquer que seja
Busco incessantemente
Em alguma parte minha perdida
Mas só encontro o gosto
Do beijo
Efêmero
O toque breve no braço
A textura da pele lisa
O olhar que me desprendia
De qualquer atenção externa
E que praticamente me despia
Me proporcionando sensações
Até então esquecidas...

Um único beijo
Mas que justamente
Pela brevidade do momento
Se tornou inesquecível...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Felicidade breve

De frente para o precípcio
Abro os braços... me jogo!
É um vício... sentir-se leve!
Não importa se o momento é breve,
Eu quero é que essa felicidade me leve,
Como um arrepio me percorra a pele
Um sorriso no rosto que se revele,
Um gosto na boca dessa felicidade breve!